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segunda-feira, 21 de junho de 2010

Die Tageszeitung: Ah se não fosse a copa do mundo...

O brasileiro é, antes de tudo, um malandro. E gosta de ser conhecido assim. Ser o bicho esperto, que sempre consegue dar um jeitinho, é tido como uma imagem legal, melhor que a de ser um louco trabalhador esforçado. Concordo. Mas o brasileiro esquece que trabalha duro nesses seus jeitinhos malandros. Mesmo assim, passa uma imagem diferente.
Poucos seres de fora conhecem o Brasil de verdade. Somos tidos como folgados que vivem de putaria nas praias do Rio de Janeiro e pra alguns até falamos espanhol. O que sabem é que o Brasil manda bem nos gramados por aí, e é o que importa para eles. Sabem agora onde encontrar jogadores para seus grandes clubes.
O brasileiro tá tão cagado hoje em dia que a copa do muito importa muito mais que qualquer coisa.
Problemas no país, corrupção, eleições, ser forçado a votar, bla bla bla. Tudo isso torna o Brasil uma bosta, mas a gente ainda gosta dessa bosta porque tem cinco estrelas no uniforme da seleção. Ou porque nascemos com o sentimento de patriotismo, de independência, ou mais ainda, de malandragem.
Mas o brasileiro está tão errado assim? Estaria ele errado em preocupar-se com um evento que inevitavelmente traz orgulho e que só acontece a cada quatro anos? O que busca o ser humano com trabalho duro e esforço? Prazer. E ganhando-se a copa tem-se isso, e é o que importa. Ninguém lutaria por dinheiro se esse não pudesse comprar felicidade indiretamente. E para o brasileiro, ver a seleção ganhar já traz muita alegria.

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